Nossa caminhada iniciou pela busca de uma espiritualidade que se mostrasse mais completa. Sentiamos que faltava algo. E encontramos a plenitude ao ouvir o chamado da Grande Mãe. A partir daí nos redecobrimos como Filhas da Deusa e Sacerdotisas do Amor.
Ao sentirmos a presença do Sagrado Feminino reconhecemos que o Universo foi gerado pelo Amor e a União do Sagrado Feminino e do Sagrado Masculino. Que o Amor é o Grande Milagre e o Grande Mistério. O segredo que foi temido, perseguido e condenado. E este segredo é o grande poder da mulher, por que somos nós as detentoras do dom de despertar o Amor.
E por sermos o canal para essa energia transformadora, fomos igualmente perseguidas.
Ao despertarmos o Amor também tornamos o Sexo Sagrado, e este ato Sublime de Amor que gera a Chama Gêmea foi deturpado para nos afastar do que talvez seja o maior de todos os Segredos. Ao redescobrirmos o Sagrado Feminino redescobrirmos que somos almas compaheiras, que ao nos unirmos em Amor com nossa alma gêmea a grande ascenção espiritual acontece e geramos uma energia de Amor tão intensa capaz de ascender o mundo.
Nossa caminhada para a conexão com o Sagrado Feminino e o Amor das almas gêmeas é algo que desejamos compartilhar com todos aqueles que sentem este despertar em suas almas.
Acreditemos na Sublime Força do Amor. Lembremos que quando deixamos de acreditar em algo, isso morre...

sábado, 29 de julho de 2017

TODAS AS FACES DA GRANDE MÃE



"...Que o umbandista eleve suas preces para Yemanjá, o cristão para a Virgem Maria. o budista para Mayadeva, o hinduísta para Jagat-Ambar e o esoterista para o eterno feminino da natureza. Não importa o nome como é conhecida a Senhora do Universo. Importa sim, que oremos pelo seu Nome e em seu nome possamos servir e fazer obras. Foi seu nome, Isis, Mut, Minerva, Artarté entre outros, na mais remota antiguidade, seu culto dedicado as virgens mães negras. Um nome apenas deve prevalecer ante nossas súplicas e orações: Mãe!
Oremos a Mãe,seja que nome tenha. Vamos todos,imbuídos do mesmo ideal e fortalecidos na nossa fé,colaborar humildemente com a Grande Obra. Não importa que a oração seja dessa ou daquela religião. Importa sim, que oremos convictos de que existe uma força,uma potência vibratória que amorosamente vem atuando no interior de cada um de nós.
Procuremos a Grande Mãe. Ela está e esteve sempre presente em nossos corações,bem dentro do íntimo de todos nós,que inconsequentes seres humanos,nos achamos afastados,léguas de distância, desse amorável apelo,desse maravilhoso Ser."
Do livro, A Divina Mediadora, de Roger Feraudy

terça-feira, 7 de abril de 2015

IRMANDADE DA ROSA

A Irmandade da Rosa é um grupo que visa promover um retorno a sacralidade da vida, através da maternidade sagrada, da conexão com a terra e os cíclos da natureza, da vivência do amor e do sexo sagrados e também com a consciência da interligação entre todas as formas de vida, e na experiência profunda de que somos todos Um. Nosso círculo é parecido com tantos outros, talvez com o diferencial de visar um retorno a Unidade primordial feminina, que é a Deusa, a Grande Mãe universal, e também a busca pelo equilíbrio entre o sagrado feminino e o sagrado masculino,pois a união mágica desses dois princípios cósmicos promovem a cura e a ascensão do planeta. Essa é a nossa busca. Esse é o nosso ideal. Convidamos a participar desse movimento,todos aqueles, homens e mulheres, que como nós, sentem esse chamado na alma.
Namastê!!

segunda-feira, 9 de março de 2015

IRMANDADE DA ROSA

É chegado o momento do despertar para a missão de cada uma de nós,irmãs do coração, deixem que a Rosa sagrada guie seus passos.
Em cada canto do planeta iremos despertar de nosso sono letárgico e assumir a caminhada que viemos empreender.
O momento é agora,não há mais tempo, o redespertar do sagrado  feminino se faz urgente
no planeta Terra.Todas as antigas sacerdotisas da Irmandade da Rosa irão se juntar novamente, e ajudar na ascenção do planeta. Contamos com todos que estiverem dispostos a trabalhar no equilíbrio do sagrado feminino e do sagrado masculino, se unindo finalmente e trazendo uma nova era de luz.

Namastê!

domingo, 27 de julho de 2014

A ALQUIMIA DO AMOR

"..O amor egoísta não se transformará pela diminuição do amor. Esse é o erro em que alguns homens incidem. Não será transmitido por se tornar frio, mas por ser encorajado, e tentando-se, deliberadamente, eliminar esses elementos que o degradam, observando o eu inferior, e ao perceber que ele dá início à construção de uma pequena parede de exclusão, demoli-la. Quando esse eu tenta afastar a pessoa amada da companhia de outros, é melhor dar-lhe a conhecer outras pessoas. Quando surge o sentimento do egoísmo e do ciúme, ele deve ser, ponderadamente, posto de lado, de forma que o sentimento que diz: "Fiquemos sozinhos e gostemos disso", seja mudado para "Vamos juntos para o mundo, para dar e repartir com outros a alegria que juntos encontramos".
Por esse processo de alquimia, o amor torna-se compaixão divina e se espalhará por todo o mundo. Os que encontram essa alegria, recebendo-a do ser amado, descobrirão seu deleite deixando que se escoe para os demais aquilo que encontrou. Esse amor talvez um dia tenha sido o amor entre um homem e uma mulher e depois expandiu-se para o círculo do lar, extravasando-se ainda mais para a vida da comunidade, a vida da nação, e, então, para a vida da raça. Deverá, finalmente, expandir-se para incluir tudo quanto vive no universo. Nada terá perdido da sua profundidade, nada do seu calor, nada do seu fervor e intensidade, mas terá chegado a ser um oceano de compaixão, que inclui tudo quanto sente e vive. Tal seria, no que se refere ao amor, essa alquimia da Alma."

Do livro: Do recinto externo ao santuário interno, de Anne Besant
 

quinta-feira, 24 de julho de 2014

É real...

Este blog é resultado de muito estudo, inspiração, amor e principalmente da fé e sonho de duas mulheres que mesmo com as agruras da vida sempre acreditaram no Amor... Naquele amor que nasce entre duas pessoas e que transforma o Universo inteiro, no amor que nos torna Deuses, o Amor que é o verdadeiro Graal, que através dele tudo foi criado... O Amor que transforma o Sagrado Feminino e o Sagrado Masculino em Um só...

Eu, Débora, umas das colaboradoras do blog e da Irmandade da Rosa venho hoje aqui deixar o meu depoimento de que sim, é real, este Amor existe e espera por cada um de nós, em algum lugar, em alguma tarde perdida de outono, em alguma noite de luar, em alguma manhã de sol... 
Antes de deixar meu poema de depoimento aqui, me veio a inspiração de deixar um outro poema, que conheço há muitos anos, e descobri que é do mesmo autor de um  livro maravilhoso que aborda o tema das almas gêmeas, livro O encontro com a alma gêmea de Paulo Kronemberger:

A Vida Continua (Paulo Kronemberger)

Hoje, de algum lugar longe dessas terras
Há um doce olhar só para você...
Um olhar especial
De alguém especial, de distantes origens
Um olhar de um justo coração que pulsa só a vida...
Que sorri porque ama plenamente
Sem julgamentos, preconceitos nem prisões
Hoje, como ontem, longe desses Céus
Há um encantado olhar só pra você
Nesse olhar vai para você a magia da luz
A simplicidade do perdão
A força para comungar com a vida
A esperança de dias mais radiantes de paz
Hoje, de algum lugar dentro de você,
Alguém que já o amou muito e ainda o ama
Diz para você que valeu a pena ter estado nessas Terras...
Sob estes Céus...
Falando de união, paz, amor e perdão
Poder sentir a força que faz você sorrir
E continuar o caminho
Que um dia aquele doce olhar iniciou pra você
Tudo isso, só para você saber,
que A VIDA CONTINUA...
E A MORTE É UMA VIAGEM.



E depois destas palavras lindas que sempre me emocionam e transbordam por meus olhos, eu deixo aqui meu depoimento em forma de poema, palavras que vieram do fundo de minha alma, com todo amor que hoje meu coração é preenchido, com a certeza que isso é real, e que todos teremos esse encontro...

É real...



E num entardecer, onde a lua já estava alta no céu, quando não acreditava mais que seria possível realizar meu maior desejo... A vida me surpreende, então as cores voltam a ser vivas, os perfumes mais inebriantes, a poesia está em tudo, o sorriso é fácil, o olhar brilha...
Descubro o amor novamente, mas é na verdade o primeiro amor, pois ele é único.
E aí tudo faz sentido, a magia é real, o amor transforma, não só á nós, mas o mundo inteiro, pois desejamos ser melhores, a felicidade é tanta que transborda e você deseja que o mundo seja feliz também...
O amor é entrega sem esperar nada em troca, mas não como algo racionalizado, simplesmente por que o único desejo é fazer bem àquele que transforma o mundo inteiro pra você, a sensação da alma é que nada que possa ser dito irá traduzir o universo que está em seu coração...
Apenas ficamos com a certeza de que a vida vale a pena, que caminhar até aqui não é nada comparado com o amor que está na alma, no corpo, nos sentidos... 
E que sim, o universo só poderia ser criado a partir da união de duas forças que unidas chama-se Amor.


Débora, 18/12/2013

domingo, 2 de junho de 2013

A consciência de Gaia



   A consciência de Gaia é um movimento para a cura do planeta que se manifesta de várias formas, visando aumentas a responsabilidade humana pela preservação da Terra, cada vez mais ameaçada pela poluição e degradação ambientais, bem como pela cobiça, a exploração desenfreada e a violência. Ele surgiu aos poucos, de iniciativas individuais e grupais, depois que as fotografias da Terra vistas do espaço – aparecendo como um lindo globo azul, cercado de nuvens, de extrema beleza e vulnerabilidade – tocaram o coração de muitas pessoas.
   Em 1971, os cientistas James Lovelock e Lyn Margulis criaram a hipótese Gaia, que considera a Terra como uma estrutura complexa e viva, autorregulável, e que a interdependência de todas as formas de vida, junto com o solo, com os oceanos e a atmosfera, formam um único sistema vivo. A hipótese Gaia reconhece o planeta Terra como uma entidade inteligente do Universo e a nossa íntima relação com toda a criação por meio de uma energia sutil que liga todos os seres vivos. Reavivando o antigo conceito da “teia cósmica” e usando o nome da Mãe Terra grega – Gaia – como metáfora da teoria, a validação científica de uma verdade milenar catalisou a formação de uma nova mentalidade e de movimentos chamados “gaianismo”. A Consciência de Gaia é a solução necessária e adequada para contrabalançar os conceitos mecanicistas atuais, que dicotomizam o homem e a Natureza, a razão e a emoção, a matéria e o espírito e que destruíram a antiga reverência e o respeito do homem pelas energias naturais, antes vistas como a personificação da Fonte Divina.
    Outra manifestação e consequência desse despertar  foi a criação do ecofeminismo, que combina filosofia feminista com consciência ecológica, oferecendo uma perspectiva global ecocêntrica. O ecofeminismo é baseado na crença da unidade e interdependência de todas as formas de vida e busca formas mais humanistas, pacíficas e benéficas para a remodelação das estruturas políticas, sociais e individuais. Ele visa à integração de todos os níveis energéticos (tanto racional e material quanto psíquico e emocional) e a aceitação do divino como força vital imanente do mundo natural.
    Movimentos como o Gaianismo, a Consciência de Gaia e o Greenpeace, organizações para a preservação dos ecossistemas, a proposta de “O Milionésimo Círculo”, a organização Gather the Womem, as conferências e encontros internacionais de mulheres e fundações como a Women’s World Summit Foundation são exemplos de como a Deusa – Mãe e Mestra – nos convoca e pede nossa ajuda. Ainda existem outros incentivos, como as marchas das mulheres, as ligas, os grupos e as listas da internet, que convidam mulheres do mundo inteiro para projetos, publicações e eventos que beneficiem e fortaleçam as mulheres nas suas aspirações, necessidades e objetivos.
    A escritora e terapeuta Jean Shinoda Bolen expressou de forma tocante e precisa essa nova realidade global no título do seu mais recente livro, Urgent Message From Mother. Gather the Women , Save the World [Mensagem Urgente da Mãe, Reúnam as Mulheres, Salvem o Mundo] .
    O retorno à Deusa é o prenúncio do surgimento de uma nova consciência que vê a humanidade como parte do Todo, da Natureza e do cosmos, e aceita a sacralidade da vida e a imanência do divino. O mistério da Deusa é o mistério do nosso próprio ser, a força vital dinâmica, a dança da vida e dos ciclos naturais, a canção eterna da criação, destruição e regeneração. A Terra é viva, é a própria Deusa, que sustenta e nutre todos os seres e os abriga no seu corpo. Ao trilharmos o caminho da Deusa, iremos relembrar que não há separação, apenas unidade; a matéria é permeada pelo espírito e todos nós somos responsáveis por tudo o que é vivo.
    A escritora Elinor Gadon, em seu livro The Once and Future Goddess define a Deusa como: “a guardiã da fonte interior, da conexão e orientação espiritual, a divindade existente em todos nós, manifestada como a nossa consciência autêntica, o centro transpessoal chamado Eu Divino”.
    A Deusa é o símbolo da cura necessária para a nossa sobrevivência; da pacificação entre homens e mulheres, povos e nações; expansão da consciência que irá garantir a renovação social, política, cultural e espiritual da humanidade. Sem precisar voltar as estruturas e comportamentos pré-históricos, podemos usufruir a sabedoria antiga, dos cultos e rituais que honravam e celebravam a vida, a Terra, a sacralidade feminina. Precisamos apenas abrir nossa mente e coração para fazer bom uso das riquezas naturais e agradecer por tudo o que a vida e a Deusa nos oferecem para a nossa existência.

Círculos Sagrados para mulheres contemporâneas – Mirella Faur

domingo, 12 de maio de 2013

MARIA, O RETORNO DA DEUSA:


Muito embora, dela se tenha uma visão poética, seja em ícone, em pintura ou em hino, Maria faz reviver em suas figura, as antigas imagens do passado, em total contradição ao texto do Novo Testamento e as afirmações canônicas.

Maria é a Deusa Mãe não reconhecida pela tradição cristã.
Com exceção do primeiro capítulo da Evangelho de Lucas, onde é representada como a figura central do relato da anunciação, Maria raramente aparece nos Evangelhos. Quando o faz, seu papel é de subordinação total para com o filho. Um panteão de imagens a revestiu, no entanto, durante os 500 anos que se seguiram a sua "morte", de forma que chegou a assumir a presença e importância de todas as Deusas que a antecederam: Cibeles, Afrodite, Deméter, Astarte, Ísis, Hator, Inanna e Isthar. Como elas, é virgem e mãe; como muitas delas, dá à luz a uma criatura meio humana, meio divina, que morre para logo renascer. Tal como fizeram Atis, Adônis, Perséfone, Osíris, Tamuz e Dumuzi antes que ele, Jesus desce ao submundo dos infernos, onde sempre foi tido como lugar de regeneração. Se entende, ainda, que sua ascensão e ressurreição, como os de outras deidades, redimem a todo ser encarnado das limitações da mortalidade e do tempo.

O nome de Maria, provém do vocábulo latim "mare", que significa mar. Todas as Grandes Mães nascem do oceano primogênito ou dos abismos da água, o útero primordial da vida da qual emerge toda criatura. O mar era o ideograma de Nammu, a Deusa suméria; Ísis era "nascida de tudo-que-é-água"; Hator é "o abismo das águas do céu"; Nut, Deusa do Céu, deixa cair seu leite sob a forma de chuva; Afrodite nasce das espumas do mar. É possível que as coloridas sereias que estendem seus braços e deixam flutuar seus cabelos aos quatro ventos nas proas dos barcos sejam um remanescente popular desta referência.


A Maria é conhecida, as vezes, como a "rede" e a seu filho como "pescador divino".
Na Suméria, de modo idêntico, Dumuzi, filho-amante de Inanna, era apontado como "Senhor da Rede". Desse nome se faz eco a imagem de Cristo como "pescador dos homens". A concha marinha, consagrada a Afrodite, imagem pela qual os iniciados de Eleusis se reconheciam uns aos outros, se converteu na Idade Média no talismã dos peregrinos que caminhavam até o grande santuário de Santiago Compostela, no norte da Espanha.

Maria herdou de Ísis seu título "Stella Maris", "Estrela do Mar", que evoca, o celeste mar do firmamento noturno e o oceano terrestre. Também, como Ísis, se converteu na padroeira dos barcos e marinheiros, a salvadora de vidas em uma época em que se viajava à noite, tendo as estrelas como guias. Em Sicília, a imagem da Virgem substituiu o olho de Hórus, filho de ísis, que antigamente era pintado nas proas das barcas de pesca da região.



Maria se converteu para a alquimia, na estrela que guiava o peregrino que embarcava em águas desconhecidas do grande mar da alma.
A OUTRA FACE DE EVA



Na imagem acima (figura 1), observa-se que o rosto das mulheres são idênticos. Eva, nua, oferece a humanidade a maçã da morte, que tomou da serpente. Maria, vestida, oferece a maçã redentora da vida. Adão está deliberadamente oculto, enquanto a caveira sorridente entre as folhas da árvore, do lado de Eva, faz par com a morte que a espera à direita.

Do lado da árvore onde se encontra Maria, encontramos a cruz com o Cristo crucificado, fruto do seu ventre milagrosamente intacto.

Essa imagem, portanto, nos passa a idéia de que Maria é a outra face de Eva, ou seja, aparece como redentora do pecado de Eva. Ela deve ser perpetuamente virgem, livre da mancha de uma relação sexual com outro ser humano.

A leitura cristã literal da virgindade de Maria contrata totalmente com a antiga interpretação simbólica da virgindade da Deusa Mãe, a maravilha da natureza renovando-se perpetuamente a partir da fonte que é ela mesma. A virgindade de Maria não pode redimir a "caída" de Eva, unicamente exacerba a idéia que houve um pecado no princípio, e que há algo intrinsecamente mal na natureza humana que deve expiar-se.

Como ensina Warner:
"A Imaculada Concepção continua sendo um dogma que separa a virgem Maria, que permanece pura apesar da "caída" da raça humana...A Virgem, ícone ideal, afirma a inferioridade do destino humano. Concebida sem mancha, e situada muito acima dos homens e das mulheres,...acentua a sensação de pecaminosidade. Seus fiéis lhe atribuem um estado que eles nunca alcançarão. Sem dúvida, Maria é a outra face de Eva".

Alan Watts nos oferece uma compreensão mais rica do simbolismo de Maria:
"A Mãe Virgem é, em primeiro lugar, "Mater Virgo", matéria virgem ou terra sem arar; é a "prima matéria" antes de sua divisão em multiplicidade das coisas criadas, ou antes de ser arada. Como estrela do mar, "Stella Maris" (mare=Maria), fonte selada, "o ventre imaculado desta fonte divina" é também as águas sobre as que se movia o espírito divino no princípio dos tempos. Como "a mulher vestida do sol, com a lua embaixo de seus pés", é tudo como as outras mitologias representavam as Deusas da Lua, que brilha com a luz do sol e aparece na noite rodeada (coroada) de estrelas. Como o ventre em que nasce o Logos, é também o espaço; a convenção artística comum assim a refletia quando a viu com um mato azul, semeado de estrelas".



O MITO LUNAR E SOLAR

Como todas as Deusas Lunares, Maria é Virgem e Mãe. A trama de seu destino segue os ciclos de mudanças da lua, porém com uma diferença crucial. Dá à luz a seu filho embaixo da lua crescente, o cria embaixo da lua cheia, porém, não se casa com ele; chora a morte de seu filho durante três dias entre sua crucificação e sua ressurreição, esses três dias de escuridão, quando a lua desaparece e Jesus desce aos infernos, rastreando ou arando a dimensão do submundo para libertar a vida que se faz ali enterrada; segundo a simbologia lunar, para despertar a luz adormecida da iminente luz crescente.

O lamento de Maria por seu filho sacrificado se faz eco das anteriores Deusas por seus filhos e filhas sacrificados; as três Marias que rodeiam o drama da Paixão, recordam as três fases visíveis da Lua, a trindade das Deusas do destino. A sua volta, Maria Madalena saúda Jesus como "o jardineiro", a vida ressuscitada. Ela o ungiu com azeites preciosos antes de sua morte, como fizeram todas as sumas sacerdotisas das antigas Deusas com os filhos-amantes da Deusa.

Para a Igreja grega ortodoxa, Maria assume o papel de seu filho e entra, também, no reino da escuridão da lua. Isso sucede durante os três dias de seu "adormecimento", que precedem sua ascensão, pela qual se reúne com seu filho. Esse a coroa então, durante uma cerimônia que é como o rito do matrimônio sagrado da Lua Cheia, e que se conhece na doutrina cristã como a "coroação da Virgem". Esse rito "nupcial" da lua cheia está, pode-se dizer, deslocado, de forma que o ciclo se completa mais tarde, na região simbólica da vida eterna. Como se com ele se comemorasse este mistério lunar, na data da Páscoa que não são as mesmas cada ano, mas se adaptam ao curso de mudança da Lua Cheia em relação com o equinócio da primavera (HN).

Os simbolismos lunar e solar se refletem de forma intrigante no calendário cristão de maneira que se corresponde exatamente com sua história mitológica. Quando o que se celebra é um drama de transformação, o momento em que levam a cabo os rituais se ajusta ao curso da lua; por exemplo, a data da ressurreição de Cristo ao domingo que se segue a primeira lua cheia depois do equinócio de primavera (HN). Porém, quando o "acontecimento" pertence ao modelo heróico solar da conquista da escuridão por parte do princípio da luz, o calendário segue o curso do sol; por exemplo, o nascimento da criança "tem lugar" durante o solstício do inverno (HN) quando o sol volta a nascer a partir da escuridão do antigo ano.

Alan Watts, em sua obra "Myth and Ritual Christianity", uma leitura indispensável sobre o tema, aclara esse ponto:
"No ciclo do ano cristão o calendário solar rege os ritos da Encarnação, dado que esses se conectam com o nascimento solar e caem, portanto, em dias fixos. Os ritos de Expiação, de morte de Cristo, da Ressurreição e da Ascensão, por sua vez, se regem pelo calendário lunar, porque a lua crescente e minguante alberga uma figura de morte e ressurreição".

Segundo o padrão mitológico perene, o sol que nasce da mãe é o sol que nasce da lua que se alça desde as profundezas da escuridão e do renascimento do ano. A Cristo se dava o nome de "Sol da Justiça e "Luz do Mundo" e o número de seus apóstolos corresponde a cifra solar doze, que representa o itinerário solar através dos doze meses do ano. Com Jesus o número ascende à treze, como treze são os meses do ano lunar, conciliando-se assim o tempo solar com o lunar.
MARIA COMO RAINHA DO CÉU



A Bíblia não menciona a morte da Virgem Maria e não existe relatos contemporâneos de seu enterro nem arquivos sobre o paradeiro de seu sepulcro. A falta de provas nas sagradas escrituras desencadeou intensas especulações entre os fiéis e nos séculos IV e vários textos mencionaram as circunstâncias da morte de Maria. Ditos testemunhos eram heréticos. De todos os modos, alguns se converteram em base da tradição medieval da ascensão: a crença de que Maria subiu fisicamente ao céu.

Talvez a referência mais antiga a ascensão física é a da obra anônima "Obsequies of the Holy Virgin", escrita em siríaco (dialeto arameu que segue sendo a língua da Igreja cristã síria) entre começos do século III e meados do V. Esse texto descreve a discusão entre os santos Pablo, Juão, Pedro e André "à entrada do sepulcro de Maria". Jesus se apresenta em companhia do arcanjo Miguel para tomar uma decisão e ordena que o cadáver da virgem seja elevado ao céu. Levam o corpo "até a árvore da vida", habitual símbolo da Deusa, que se remonta à Suméria, onde se reúne com a alma de Maria.

Em outros realtos do século V sobre seus últimos dias na terra, Maria é ascendida ao céu por Jesus, os apóstolos, uma corte de anjos e os profetas Moisés, Henok e Elias.

A medida que a tradição da ascensão foi aceita, a divina identidade de Maria caiu irrevogavelmente confirmada. Igual à Ísis, Isthar e outras, se converteu na Rainha do Céu.

Em 754, o imperador Constantino V estipulou o culto obrigatório de Maria e proibiu a entrada ao céu de todo aquele "que não reconheça que a eterna e sagrada Virgem é sincera e justamente a mãe de Deus, superior a qualquer criatura visível ou invisível e que com sincera fé não busque sua interseção como alguém que confia em seu acesso à Deus". São Anselmo de Canterbury (1033-1109) descreveu a Maria com as mesmas palavras com as que havia definido a uma Deusa da natureza:
"Graças à ti, os elementos se renovam, os demônios são pisoteados, os homens se salvam e até os anjos caídos recuperam sua posição. Oh, mulher, tão cheia e transbordante de graça, de ti emana tanto que todas as criaturas recobram seu viço."

A imaculada concepção situou Maria acima da pecaminosa raça de Adão e a ascensão a libertou da lei da morte. Porém, como não existe provas bíblicas que justifiquem a pureza da virgem ou sua ascensão ao céu, durante séculos a Igreja não aprovou oficialmente essas doutrinas.

A imaculada concepção se converteu em artigo de fé em 1854 e a ascensão em 1950. Tais decisões papais se basearam no reconhecimento da intensa devoção que os católicos de todo o mundo manifestavam sobre a Virgem. A resolução de 1950 foi obra do papa Pio XII como conseqüência direta da petição firmada por oito milhões de pessoas.

Em 1954, a Igreja católica nomeou oficialmente a Maria "Rainha do Céu", justamente, muitos séculos depois que se houvera convertido em um dos títulos mais utilizados.
A DEUSA PERDIDA DA TERRA

Maria, ao longo dos séculos, passou de um papel secundário, como Mãe de Cristo, para tornar-se cada vez mais associada e vinculada com a Deusa Mãe neolítica da terra doadora de vida.

Aliás, não são poucos os autores que afirmam que o culto à Virgem Maria é uma continuidade da adoração das Deusas do paganismo, tal qual eram adoradas no Egito, na Grécia, na Babilônia e em Roma.

É o escritor Woodrow que nos diz:
"Um dos mais sobressalentes de como o paganismo babilônico tem continuado até nossos dias, pode ver-se na forma em que a Igreja inventou o culto à Maria, para substituir o antigo culto da Deusa".

A partir da Idade Média, Maria já havia assumido o papel de Deusa dos grãos, convertendo-se, como suas antecessoras, na responsável última de manter e nutrir a humanidade. Em uma bela ilustração do Milagre do grão, Maria aparece como Rainha da Terra, fonte do grão, da colheita e, em fim, da humanidade.

Uma lenda medieval relata como, durante a fuga para o Egito, a Virgem e o menino Jesus chegam a um campo em que um camponês está arando e semeando o grão. A Virgem e o menino lhe avisam de que se visse um grupo de soldados à busca da sagrada Família, e esses lhe perguntassem se havia visto passar uma mãe com um filho, deveria responder que os viu quando estava arando e semeando o campo. A Família abandona as terras e, de forma instantânea, o trigo recém semeado brota e cresce até chegar a sua altura máxima: dourado e maduro, já pronto para a colheita. Os soldados de Herodes aparecem e o camponês responde que sim, viu passar uma mãe e um filho "quando comecei a semear a semente".

Berger, comenta o seguinte:
"As obras de arte e os textos dos séculos XII e XIII que fazem referência ao Milagre do grão da Virgem são testemunho de uma transformação que já havia tido lugar. É impossível determinar as fases dessas transformações da protetora do grão na Virgem. Quando, no século XII, o relato emerge, se faz, entretanto, em vários lugares diferentes, manifestando-se na França, Irlanda, Gales e Suécia". Sua grande difusão sugere que antes de ser plasmado na arte e na literatura, o relato gozava de uma longa tradição oral".
MARIA COMO DEUSA DOS ANIMAIS



O boi e a mula, obsequiando-se sobre o berço do menino Jesus, são um elemento tão fundamental das representações da cena de Natal que nos surpreende recordar que não formam parte da narração original dos Evangelhos.

Simplesmente ao contemplar uma imagem típica da cena do nascimento, poderíamos ter a antiga Deusa dos animais diante de nossos olhos. A Deusa, em que foi sua imagem estilizada e abstrata, se coloca entre os animais, situados de forma simétrica um de cada lado. A entrada dos pastores com suas ovelhas é uma parte essencial a reunião de todos os animais em torno da Senhora no presépio, imagem da fertilidade da qual ela era protetora.

Campell propõe outro significado para a aparição do boi e da mula, ao assinalar que esses animais eram também que os simbolizavam as imagens antagônicas de Osíris e Seth, que, como faz referência o autor, havia sido instantaneamente reconhecido na época. Desta maneira se expressava o nascimento do menino Cristo, como união e superação dos contrários.

Podemos também contemplar em obras de arte, a Maria sentada sobre um trono de leões, o que a inclui dentro da tradição das Deusas cujo domínio sobre os poderes da natureza se expressa representando-as sobre um leão, de pé ou sentadas.
MARIA COMO DEUSA DO MORTE E DO SUBMUNDO

Em uma obra devota de uma época do século XVIII, Maria é descrita como "a sagrada Virgem que reina nas regiões infernais....a senhora soberana dos diabos". Parece bem estranho relacionar Maria com a morte e o mundo subterrâneo, mas é provável que isso tenha ocorrido, por ter-se perdido a unidade original da Grande Mãe que rege tanto a vida como a morte.

A figura da Nossa Senhora, clemente, indulgente, que intervêm como última esperança de salvação da condenação eterna, pode ser vista e lembrada em sua oração, rezada em todo o mundo pelos católicos, que se encerra com o pedido: "rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte". Dessa maneira, a Virgem volta a assumir os antigos títulos da Deusa suméria Ninhursag, conhecida como "aquela que dá vida aos mortos", e de Inanna, a quem se dava o nome de "a que perdoa os pecados".

Do ponto de vista teológico, Maria intervêm como Mãe compassiva. Sua intercessão com Cristo, o juiz, faz inclinar (metaforicamente) a balança da justiça, que as vezes, São Miguel sujeita, a favor do pecador. De maneira idêntica, no Egito, a pluma da Deusa Maat se coloca no prato da balança, e sobre o outro o coração da pessoa morta.
Piero della Francesca, Polyptych of the Misericordia, about 1460, tempera and oil on panel, 134 x 91 cm, Sansepolcro, Museo Civico
http://www.casasantapia.com/art/art/madonnadellamisericordia.htm
O quadro de Piero della Francesca, que aparece na figura acima, mostra o quanto Maria é onipresente e que é a ela que as almas se voltam para buscar clemência. Todos os relatos apocalípticos são testemunhos da crença de que podendo-se chegar até ela, o perdão estará assegurado, pois só Maria pode aceitar o ser humano na sua totalidade. Curiosamente, é na cena final da vida, que pode-se ter Maria como quase mais acessível que Jesus, enquanto os Evangelhos só dão a conhecer o drama e a figura desse último. A compaixão pelo sofrimentos dos pecadores pode comovê-la, enquanto que Jesus, o juiz justo, só representa a lei, independentemente do castigo.

A medida que o cristianismo foi se estendendo através dos séculos, a figura de Maria, a Mãe, trouxe para si o significado das amorosas esperanças de seu filho. A esse, em contrapartida, as vezes lhe atribuíam o papel surpreendente de Pai Insensível, quase como se estivesse afirmando-se um padrão arquetípico dos princípios masculino e feminino.
O MATRIMÔNIO SAGRADO

No cristianismo ortodoxo, em que Maria era uma mulher humana e Deus regia o céu com Grande Pai Supremo, a imagem do matrimônio sagrado entre Deus e Deusa não era possível. No entanto, o forte desejo de que se produzisse uma união entre os princípios masculinos e feminino se expressam em alguns textos gnósticos excluídos, na idéia que Jesus amou (e inclusive tomou como esposa) a mulher que carregava o receptáculo sagrado, Maria Madalena.

Através de uma simples leitura dos Evangelhos aceitos parece impensável que doze séculos mais tarde, apareceriam imagens de Jesus e Maria relacionando-se entre eles como um casal de noivos. No entanto, sem se conhecer a interpretação oficial que outra idéia podemos ter da pintura abaixo?


Matrimonio Sagrado

Detalle de La coronación de la Virgen, de Agnolo Gaddi (témpera sobre madera, 1370)


Nela, Maria aparece sentada ao lado de Jesus, não só como sua mãe, mas também como sua noiva. Nessa comovedora obra realizada por Agnolo Gaddi, as túnicas idênticas dos dois personagens se fundem em uma e, enquanto Cristo coloca a coroa sobre a cabeça de Maria, é como se celebrasse uma vez mais o "hierogamos", o matrimônio sagrado, do sol e da lua; esse era o momento supremo dos Mistérios das culturas pré-cristãs. Há, no entanto, uma diferença crucial, não é a mãe que reconhece seu filho como noivo, convertendo-se assim em sua noiva. Aqui, é ele que coroa à ela, não ela à ele.

No mosaico do século XIII da basílica de Santa Maria em Trastevere que aparece nas figuras abaixo (Fig. 4 e 5), Cristo está sentado ao lado de uma mulher que aparente ter a sua idade, ou até mais jovem.

Jesús y María en el trono (mosaico de la basílica de Santa María in Trastévere, Roma, siglo XII)

Seu braço se apóia em torno de seus ombros, em um gesto próprio do noivo que atrai para si a sua noiva. Nesse caso, ele é que protege ela, e ela senta-se tranqüilamente envolta em seu abraço, como em muitas imagens de marido e mulher através das eras. No entanto, o movimento que se aprecia na figura provem das mãos dela, ao elevar um pergaminho sobre o seu joelho, apontando para o rosto de Cristo por um arco, onde se vê perfeitamente uma cruz. Mitologicamente, se trata de uma reunião sob a Lua Cheia, quando o filho, nascido sob a Lua Crescente, sacrificado sob a Lua Minguante e perdido sob a Lua Nova, renasce como o amante que reclama àquela que lhe deu à luz como sua noiva. Maria e Cristo voltam a ser "um" nessa imagem, e se transcende a dualidade do masculino e do feminino, da vida e da morte.

Uma "nova" encarnação do mito da Deusa e seu filho parece manifestar quando está preparada a consciência humana para aprofundar em seu entendimento, buscando uma nova revelação do significado da vida. É como se o caráter numinoso das imagens desse à luz a um novo momento de consciência: isto ajuda a provocar uma transformação da imagem da deidade em uma cultura determinada, em uma época determinada. A nova revelação, que ajuda a que evoluem os valores da humanidade, emerge das profundezas da alma humana, cuja imagem mais antiga de si mesma é a da Deusa. a alma do mundo se renova incessantemente na humanidade, seu filho, uma nova manifestação de seu ser. A imagem do filho se entende como o princípio genérico inerente à vida vegetal, e como o rei cuja vida encarna a da tribo, e como herói cuja conquista do dragão das trevas liberava a luz da vida eterna. Agora, Jesus, o filho-amante mais recente da Deusa, se converte na voz da sabedoria atemporal da alma que fala à humanidade.

A morte e a ressurreição do filho da Deusa, e mais tarde do Deus, repetidos uma e outra vez, representam as muitas revelações que sempre teve lugar na evolução gradual da consciência humana. Parece que a humanidade necessita passar muitas vezes por uma desintegração cultural que marca a escura etapa de transição entre a morte do antigo sistema de crença e o nascimento de um novo.

É possível que uma alternância rítmica entre imagens arquetípicas femininas e masculinas (Deusas e Deuses) sejam necessárias para a evolução. A permanência fixa em qualquer dos modos poderia deter o processo do movimento. Nos Deuses se articulam as aspirações e a busca heróica. Porém, quando se completa essa criação, quando é finalizada a urgência e o esforço da busca, parece que surge um perigo inerente de cair no literalismo e no historicismo. Isso provoca a morte da vida que o antigo mito contem. Quando isso se produz, a antiga ordem deve dar espaço à uma nova expressão da visão poética a partir da qual nasce uma nova ordem. Podemos colocar o mito cristão também nesse contexto, a visão poética se converte na Mãe de uma Nova Consciência, o Filho. No relato cristão, como em todos os demais, a tradição mítica segue visível nas imagens atemporais que revestem a trama.
Texto pesquisado e desenvolvido por

ROSANE VOLPATTO
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